Análise: Tom Clancy’s Ghost Recon: Wildlands

Quase todos os jogos de mundo aberto da Ubisoft são, por vezes, criticados pela pouca ambição do mesmos ou por defeitos e bugs constantes nas horas de jogatina que possuem. No final do ano passado, Watch Dogs 2 provou o cenário contrário, se mostrando um jogo excelente em todos os aspectos.

Quando Tom Clancy’s Ghost Recon: Wildlands foi anunciado como também sendo um jogo de mundo aberto, a expectativa com a série, que já não era a mesma de outrora, também deixou o público confuso. Mas será que Wildlands consegue cumprir suas promessas e ser uma franquia novamente relevante?

NARCOS NA CARA

A série Ghost Recon sempre nos trouxe o clássico clichê onde americanos fardados são essenciais para salvar o mundo. E em Wildlands isso não é diferente. A história se passa em uma Bolívia fictícia, tomada por cartéis de droga e vilões traficantes comandados pelo cartel Santa Blanca, chefiado pelo jovem “El Sueño”.

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“El Sueño” e todos os seus capangas vieram em um bom momento, pegando a expectativa da famosa série Narcos, sucesso do Netflix, que conta a trajetória do traficante colombiano Pablo Escobar. Qualquer semelhança não é mera coincidência, pois são frases, acontecimentos e até personagens que fazem uma espécie de homenagem ao famigerado seriado, o que deixa tudo mais interessante.

A trama tem início quando um agente secreto americano é morto em uma missão para desbancar o cartel e “El Sueño” , e é quando entra em ação a unidade especial conhecida apenas como Ghosts, ou fantasmas. Quem conhece as obras de Tom Clancy sabe que sempre teremos “Marines” ou “agentes especiais” enfrentando perigos contra as nações de terceiro mundo. E apesar das tramas de seus livros serem complexas, em jogos elas pecam por serem simples demais. E em Wildlands, apesar do jogo ser explícito em suas influências, vemos a simplicidade e o desinteresse da mesma logo de cara.

Os personagens principais da equipe de Ghosts e seus aliados poderão ser caracterizados conforme a escolha do jogador, deixando os mesmos soldados genéricos que vão desde a modinha da barba de lenhador ate o soldado de cabelo raspado. E nem só pelas características visuais, mas os diálogos deixam a desejar por serem simplificados demais. Nada parece ser importante e apenas vamos jogando pela diversão do mundo em si.

BOLÍVIA GIGANTESCA

E falando em mundo, o que importa mesmo aqui a exploração do mesmo, que pela primeira vez, pode ser considerado o mapa mais extenso criado pela Ubisoft. Existem missões principais e secundários a todos instante pipocando no mapa. Para ajudar na locomoção entre a Bolívia, teremos carros, motos, lanchas e helicópteros disponíveis logo no começo do jogo. Afinal, chegar do ponto A ao ponto B não será tarefa simples.

A mecânica de progressão da história é inteligente. Como o mapa é tomado por capangas de “El Sueño”, eles soam como “chefes de cenário” que tomaram conta das regiões do mapa boliviano. Para destravar a visão completa do mapa, aqui você não precisará subir em montanhas ou torres, mas apenas explorar o cenário. Claro que o jogador poderá verificar o mapa a vontade, mas a progressão ideal é acabar com o chefe da região, para ir liberando cada vez mais regiões do mapa.

E como em todo jogo da série Ghost Recon, o armamento é de primeira linha. Temos armas especiais como rifles de precisão, metralhadoras, pistolas, explosivos de todos os tipos e até lançadores de granadas. Todas elas poderão e deverão ser customizadas para melhor uso, afinal, conforme vamos avançado no jogo, mais difícil e complicado ele vai ficando, por isso, aprender a usar e editar armas é uma habilidade a ser aprendida desde o começo.

A edição da arma vai da cor da mesma até o uso ou não de um silenciador, para os assaltos mais furtivos contra inimigos. O formato do gatilho e a força da coronhada também serão importantes, e por mais absurdo que isso possa parecer, em um jogo desse calibre que tenta se levar a sério em seus armamentos, explorar esse conceito é realmente interessante.

Infelizmente, algumas missões secundárias são entediantes, mas necessárias para encontrar todos os armamentos disponíveis no jogo. Estaremos também encontrando no extenso mapa novas armas, modificações essenciais e pontos de habilidade, primordiais para subir o nível de seu personagem e facilitar o jogo. Esse elemento, roubado da forma correta de RPG’s, será de extrema importância, pois ao aumentar o nível do personagem, poderemos melhorar suas habilidades como força física, equipamentos (armas, drones, itens gerais, etc) e até esquadrões rebeldes.

As melhores missões secundárias são de ajudar o povo rebelde que vive na Bolívia. Ao ajudarmos esses rebeldes, completando missões para eles, poderemos receber em troca a ajuda dos mesmos, como recebimento de veículos, novas armas, pontos de habilidade, ajuda na hora de assaltar e distrair inimigos, além da melhor recompensa do jogo: O bombardeiro de morteiros. Quanto mais missões secundárias rebeldes o jogador completar, mais ajuda desses esquadrões será recebida.

E o ponto alto do jogo para muitos, talvez seja no multiplayer, que é uma diversão a parte. Se você possui três amigos com o jogo no console ou no PC, poderá jogar qualquer missão, seja da história ou secundária, com eles. A realidade é que o jogo foi desde o começo pensado para se jogar em modo multiplayer. Jogar sozinho pode ser bacana, mas depois de você e seus amigos entrarem na linha de combate juntos, conversando um com o outro e pensando na melhor maneira de completar a missão, voltar a jogar sozinho não será a mesma coisa.

E mais uma vez, faço meus elogios a localização brasileira da Ubisoft, pois além do jogo contar com legendas totalmente em português do Brasil, ele conta também com uma dublagem até mais inspirada que o produto original, dando mais personalidade aos personagens, bem como os chefes do narcotráfico e NPC’s.

FINALIZANDO

Tom Clancy’s Ghost Recon: Wildlands é uma boa repaginada para a série e vai direto ao ponto. Sua trama aparenta ser simples apenas para o jogador focar no mundo aberto e na exploração do mesmo. Provavelmente, ele não será lembrando como um dos grandes títulos de 2017, mas para uma diversão descompromissada, o jogo vale. Apesar de algumas dificuldades com os controles e algumas missões secundárias serem entediantes, a diversão do multiplayer e a exploração completa do mapa vale para os jogadores que gostam do gênero.

NOTA: 3,8/5

O jogo está disponível no Brasil para a plataforma Playstation 4, Xbox One e PC/STEAM desde o dia 7 de março. A cópia usada para este review foi fornecida pela Ubisoft. Confira também nosso PODCAST e nossos DOIS VÍDEOS sobre o jogo.