Análise: Tales of Berseria (PS3, PS4 e PC)

Desde o seu nascimento em 1995, a franquia “Tales of” recebeu um total de 16 títulos, jogos independentes um dos outros em sua maioria. Alguns deles são jogos medíocres, fazendo nada mais do que a sua obrigação como um RPG japonês aos moldes considerados clássicos.

O seu penúltimo jogo, Tales of Zestiria, não foi totalmente ovacionado e recebeu algumas críticas pesadas quanto a sua trama e seu sistema de combate. Mas o que isso tem a ver com Tales of Berseria? Bem, Berseria se passa muito tempo antes da trama de Zestiria e isso preocupava parte do público, pois a dúvida entre os jogos serem parecidos em sua forma final, existia. Felizmente, isso não acontece.

Deixando claro que não há necessidade alguma de se jogar Zestiria antes de Berseria. Claro, alguns easter eggs estão escondidos aqui e ali, mas nada realmente importante. A trama de Berseria, porém, é muito mais envolvente, obscura e satisfatória.

O PODER DA VINGANÇA

No mundo de Tales of Berseria, uma maldição desconhecida que é apenas chamada de Daemonblight, está transformando pessoas comuns em demônios. Para lidar com esses acontecimentos, existem os exorcistas, pessoas com habilidades especiais que tem o poder de exorcizar e acabar com esse mal de origem desconhecida através de seus poderes e de seus Malakhins.

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É neste cenário que conhecemos a protagonista Velvet Crowe, que aparenta ser uma jovem fragilizada pela perda de sua família através desses demônios. Diante desta perda, restaram apenas seu irmão mais novo, Laphicet, e seu cunhado, exorcista protetor da família chamado Arthur e muito importante para a progressão da história. Importante também citar que Laphicet tem uma doença que faz com que ele não possa fazer muito esforço sem se ferir, e como necessita de cuidados a todo instante, isso torna Velvet uma irmã super protetora.

Diante de um acontecimento logo nas duas primeiras horas do game, é quando esse lado carinhoso de Velvet deixará de existir para dar lugar a protagonista que iremos encarar durante o restante da jornada. A busca por vingança transforma Velvet em uma personagem única e por vezes, até imoral. Ela está longe de ser a heroína salvadora que tantos RPGS japoneses, inclusive da série “Tales of”, tenta nos vender.

Velvet apenas quer encontrar quem a prejudicou e acabar com seu sofrimento interior. E isso torna o jogo mais profundo do que sua casca aparenta. Velvet encontrará amigos e inimigos em seu caminho, onde muitos desses companheiros de batalha, com oa sínica maga Magilou ou o demônio Rukurou, terão seus defeitos e falhas humanas apresentadas.

Talvez o pirata Eizen seja um dos melhores sidekicks que a trama de Berseria poderia nos apresentar, tendo com Velvet muitos dos melhores diálogos da história do jogo, sempre firmes e questionando o modo como ambos enfrentam as dificuldades daquele mundo.

E através do drama da protagonista e do mundo em si, todos os personagens irão demonstrar seus maiores medos e desejos, fazendo com que o jogador conheça a história pessoal de cada um e entenda a mudança radical que todos estejam passando, justificando assim o jeito desses personagens lidarem com as situações mais adversas.

COMBOS NUNCA ENJOAM 

Toda essa história de Velvet e suas perdas carrega uma carga pesada, mas é satisfatoriamente catártica na hora das batalhas. Como Berseria é considerado um RPG de ação, apesar dos personagens entrarem em uma arena de batalha, ela pode ser circulada livremente, onde os lutadores poderão desferir ataques e magias em formatos de combos.

Os personagens irão distribuir combos através do simples apertar de um botão diversas vezes, como em um hack and slash, mas você poderá implementar os ataques mesclando todos os botões do controle.  Cada botão principal de comando do controle irá oferecer um movimento diferente, podendo gerar diversas combinações. E todos esses ataques poderão ser adquiridos através de baús pelo cenário, comprados ou até aprendidos após o aumento de nível.

TALES OF BERSERIA BATTLE

Após o recebimento dos ataques, o jogador poderá ir ao menu e trocar, mais de uma vez, a forma e os botões de cada movimento, gerando infinitas possibilidades na hora da batalha. Mas não poderemos pressionar os ataques infinitamente como desejarmos durante a batalha, pois estes gastarão a “Soul Gauge”, uma espécie de estamina do personagem, fazendo com que a batalha precise ser administrada de maneira cautelosa contra inimigos mais complexos. Quanto mais atacamos, mais gastamos “Soul Gauge” e é necessário esperar a mesma encher para distribuir mais ataques.

Velvet possui também uma mecânica de ataque mais complexa. Diante dos acontecimentos do começo do jogo, o braço de Velvet torna-se demoníaco e possui uma espécie de explosão de Ki, acumulado durante a batalha através da “Soul Gauge”, podendo fazer com que ele se solte e ataque os inimigos, gerando assim, muito mais dano de ataque.

UM JOGO DE DUAS GERAÇÕES

O mundo de Berseria é encantador e possuir cenários lindos, apesar da maioria deles serem de fácil exploração, seguindo sempre uma linha estreita durante as dungeons, que contam com poucos labirintos, fazendo com que o jogo perca um pouco do charme neste quesito e podendo enjoar os jogadores menos acostumados a RPG’s.

Mas para compensar, Berseria apresenta um variado número de quests secundárias como a de enviar ataques através de viagens de barco, muitos itens pelo cenário. piadas com gatos (e uma sub-história legal para obter itens), além de um “game de culinária” que poderá ocupar muitas horas extras do jogador.

Existe também modo cosmético, com roupas do jogo, já conhecido da série “Tales of” , onde poderemos trocar as roupas dos personagens por novas skins, seja via DLC ou através do próprio jogo, deixando Velvet mais “a vontade”. É algo que não muda em nada na sua jogabilidade de batalha, por exemplo, mas faz sentido como uma “perfumaria” do jogo.

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E mais uma vez, ficam só elogios para a Bandai Namco do Brasil, que localizou o jogo completamente e fez um trabalho excelente para um RPG que talvez não seja tão conhecido em terras brasileiras. Como o jogo é grande demais, algumas palavras ainda se perdem na tradução, mas a opção de colocar as vozes originais japonesas e a legenda em português, é algo que sonhávamos desde as ISOS piratas traduzidas de Playstation One.

FINALIZANDO

Tales of Berseria pode ser considerado um RPG simples, lançado também para Playstation 3 apenas no oriente, percebemos que a engine usada já está precisando ser reformulada. Mas isso é algo que realmente não importa, pois Berseria se sobressai de seus antecessores com uma profundidade em sua trama e seu sistema de batalha mais divertido do que aparenta, o que para muitos, é o que mais importa em um RPG oriental.

A única tristeza de Tales of Berseria é ter sido lançado junto de uma leva gigantesca de jogos bons e grandes, e por isso talvez, não tenha a atenção merecida pelo público brasileiro.

NOTA: 4,6/5

O jogo está disponível no Brasil para a plataforma Playstation 4 e PC/STEAM desde o dia 28 de janeiro. A cópia usada para este review foi fornecida pela Bandai Namco. Confira também nosso PODCAST e nosso VÍDEO sobre o jogo.

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  • FERFO

    Foi só eu reclamar no outro post que já chega um review lindo desses. Eu até gostei do Zestiria, Six, só não peguei esse novo ainda pela falta de tempo e tantos jogos recentes para jogar. Felizmente, sua análise me animou a comprá-lo logo depois de Persona 5.

    Uma dúvida: As batalhas são meio como em FF XV?