Análise: Little Nightmares (PC, Xbox One, PS4)

O que é um pesadelo? Para a psicologia de uma maneira geral, pesadelos são “sonhos perturbadores associados com sentimentos ruins, como ansiedade ou medo, mas que são normais e mundanos na vida de todo ser humano”.

Little Nightmares é o pesadelo independente da Tarsies Studios, desenvolvedora conhecida pelo apoio continuo que vem dando a Media Molecule em títulos como Little Big Planet ou Tearway. Depois de anos, finalmente ela lança seu primeiro título, desta vez apoiado pela Bandai Namco.

O TERROR DE SIX

No jogo, controlaremos Six, uma pequena personagem de aspecto delicado. Sua capa amarela e seu tamanho diminuto destoam de todo o restante do jogo e ajudam na fragilidade da personagem, que ficará exposta sempre que possível, pois além de ter seu tamanho reduzido dos diversos cenários e inimigos do jogo, Six irá passar fome, irá cansar ao correr demais e fará com que o jogador tenha a sensação de que ela sempre estará em perigo.

mala

O sentimento que Little Nightmares apresenta em seus primeiros minutos é de que Six não entende o que se passa no ambiente do jogo, assim como o jogador. A personagem acorda dentro de uma pequena mala e começa sua jornada em busca de uma saída deste seu pequeno pesadelo, encontrando criaturas deformadas, mas com aspecto humano, além de cenários e ambientes extramente hostis.

Seguindo a tendência de obras como os jogos da Playdead, Little Nightmares nos apresenta um jogo de plataforma com a estética visual sombria, um visual amedrontador e criaturas intimidantes.  A capa amarela e a luz do isqueiro que a personagem carrega são os únicos objetos brilhantes, sendo que pelo menos o isqueiro servirá para Six acender lâmpadas e velas pelo caminho e que irão servir de checkpoints.

Apesar do jogo não contar com sustos, famosos em jogos de terror, aqui, a ambientação, cenários, inimigos e a fragilidade de Six causam impacto na jogabilidade, pois a personagem não poderá atacar ou defender-se de seus inimigos, apenas fugir ou se esconder, fazendo com que o jogador se sinta acuado e que o mesmo seja condicionado a prosseguir as localidades com cautela.

FUGINDO DO PERIGO

A personagem Six, por ser pequena em comparação com os cenários e objetos, terá poucos movimentos, porém todos funcionais para a proposta que o jogo apresenta. Six poderá correr, pular e usar um botão de ação para pendurar-se em plataformas ou pegar objetos do cenário, ambos muito úteis para a resolução de puzzles, que são em sua maioria, simples até demais.

cozinha

Apesar de ser um jogo linear, por vezes, os puzzles necessitam que voltamos alguns cenários. Serão necessárias chaves para abrir portas, itens e objetos para jogar em botões, elevadores para ir e vir e objetos para escalar ou pendurar-se. Tudo isso, em sua maioria, sempre com a cautela de nunca ser visto pelas criaturas do jogo.

O design dessas criaturas é algo que irá incomodar o jogador, mas tome isso como um fator positivo, pois seu aspecto humano desproporcional e nojento ajudará na imersão e do temor que o jogo apresenta para a personagem de Six. Para avançarmos, teremos que por vezes, correr das criaturas e nos escondermos, mas para isso, será necessário observar seus movimentos e seu modo de operar no cenário, por vezes, “decorando” o que esta irá fazer. Tentativa e erro serão constantes se o jogador não tiver paciência quando acontecerem esses encontros.

Além disso, o jogo possui um ambiente 3D no qual poderemos movimentar Six para direita e esquerda, mas também nos aproximarmos da tela e irmos para o fundo dela, algo que será de extrema utilidade na hora de esconder-se dos inimigos. O problema talvez esteja na interpretação do jogador a esses ambientes, que por vezes, pulos serão errados pela falta de sombreamento da personagem.

FINALIZANDO

Little Nightmares ficará aberto a metáforas em seus personagens e na ingenuidade passageira de Six, fazendo com que o jogador esteja extasiado com a experiência em seu final, e que apesar desta ser curta, é satisfatória. Apesar do esforço dos desenvolvedores e no capricho em seus menores detalhes, o jogo poderá passar batido por muita gente devido a sua pequena apresentação  e seu preço no mercado brasileiro. Se você gosta de jogos como Limbo ou Inside, pode se aventurar tranquilamente pelos pequenos pesadelos de Six, mas não espere algo muito grandioso ou que irá ser lembrado futuramente.

NOTA: 4/5

O jogo está disponível no Brasil para a PC, Xbox One e PS4 desde o dia 2 de maio. A cópia usada para este review foi fornecida pela Bandai Namco. Confira também nosso VÍDEO sobre o jogo.