Japaixão Import Review: Blue Reflection (PS4/PS VITA)

Blue Reflection: A Espada da Garota que dança a Ilusão

​ブルーリフレクション 幻に舞う少女の剣

Blue Reflection é uma nova IP da desenvolvedor de jogos Gust (mais conhecida pela série Atelier, assim como Ar tonelico e, mais recentemente, Nights of Azure). O gênero desta vez é Magical Girl (Garotas Mágicas) RPG. A Gust fugiu de sua habitual fórmula de RPG, com algumas decisões que me deixaram com sentimentos mistos, mas também algumas muito boas. Eu não tenho muita experiência com o gênero de Garota Mágicas – eu assisti os animes Nanoha e Madoka e é só, então não tinha certeza sobre o que esperar desse jogo.

Nossa protagonista é Hinako Shirai, uma estudante do primeiro ano do Ensino Médio na Hoshinomiya Girls High School. Sua paixão da vida é ballet, e ela era muito boa nisso – até que sofreu uma trágica lesão no seu joelho, que a deixou incapaz de continuar praticando ballet. Hinako entra atrasada no ano letivo, muito desanimada após um tempo em reabilitação que acabou não curando sua lesão, considerando sua vida sem propósito agora que ela perdeu o ballet. Sua vida está prestes a mais uma reviravolta quando é abordada por uma menina que era sua fã no Ensino Fundamental.

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Algo parece errado, e enquanto a menina fala com ela, Hinako aparentemente começa perder o controle de suas emoções, fazendo-se transportar para uma paisagem mística cheia de monstros. Vozes misteriosas neste outro mundo incitam a usar os poderes de um anel mágico para se defender, e apoiada contra uma parede, ela usa o poder do anel para transformar – em um ‘Refletor’. Como na Moda Típica das Meninas Mágicas, seus cabelos e roupas mudam e ela ganha imenso poder de luta (e o mais excitante para ela, a dor de seu joelho está completamente desaparecida) para derrotar os monstros.

Essas vozes misteriosas pertencem a duas de suas novas colegas – as irmãs Yuzuki e Lime Shijou. Yuzuki (com o apelido de Yuzu) e Lime explicam que as três são Refletores – Garotas Mágicas que estão presas a luta pela humanidade contra as temíveis Origens (ou “raças puras”, “antepassados primitivos”, etc. – existem várias traduções possíveis, não sabemos como será a tradução oficial para o Ocidente). Hinako naturalmente estranha e se assusta com toda essa situação, mas as irmãs a convencem com a seguinte informação: ao vencedor desta guerra será concedido um desejo, qualquer desejo sincero, que seja do fundo do seu coração. Com o desejo de curar sua lesão no joelho para poder voltar a praticar ballet, Hinako concorda em ajudar.

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A fonte de energia para as Refletores é a emoção humana, então elas precisam saltar até o  “Comum”, uma espécie de subconsciente compartilhado do sonho humano, para estabilizar e coletar poder de ‘Fragmentos’ de emoções descontroladas. Como se o Ensino Médio não fosse suficientemente emocional para a maioria dos adolescentes, os estudantes de Hoshinomiya estão experimentando um extremo sofrimento emocional, graças a presença das Origens. Estabilizando os  Fragmentos emocionais no “Comum” não só restaura a sanidade de seus colegas, mas também fornece poder para as Refletores lutarem contra as Origens.

O Plot do jogo segue basicamente as Origens realizando ataques periodicamente na escola e Hinako, Yuzu e Lime precisam coletar poder emocional de seus colegas de classe para combater as Origens. Hinako tem muitos laços com colegas, então Yuzu e Lime estão sempre forçando Hinako a criar novos laços e amizades com novas pessoas, para assim encontrarem mais poderes emocionais para coletarem e usarem na luta. O Plot apresenta uma tensão interessante entre Yuzu e Lime, sobre a ética do que elas estão fazendo: deixando intencionalmente situações ruins piorarem, o sofrimento emocional dos alunos será aumentado e, portanto, mais poderoso quando coletado. Yuzu se sente mal sobre isso, enquanto Lime apresenta a filosofia do “fim justifica os meios” na luta contra as Origens.

O gameplay ocorre através do cumprimento de objetivos dados por Yuzu e Lime periodicamente, que podem ser resolvidos pela coleta de pontos de várias tarefas. As tarefas geralmente envolvem encontrar um aluno na escola experimentando uma emoção fora de controle, com Hinako saltando ao “Comum”, para combater os monstros e estabilizar o Fragmento. Cada capítulo tem como foco um ou dois colegas de Hinako e seus sofrimentos.

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Ao final de cada dia, Hinako pode escolher convidar alguém para vistar uma variedade de lugares após a escola (shopping centers, cinemas, cafés, etc), aumentando o “afeto” entre eles, o que pode desbloquear mais eventos e Fragmentos mais tarde. No final do dia, ee volta a sua casa, Hinako pode ainda estudar, esticar-se ou entrar no banho, que parece ser puramente fanservice – enquanto estuda ou alonga fornecer alguns bônus ou eventos estatísticos, as cenas de banho são quase inteiramente inúteis do ponto de vista mecânico gameplay). Durante a escola, Hinako também possui seu smartphone, onde ela pode jogar um minigame de criação de animais chamado Cave of Darkness e participar em bate-papos com seus colegas através de um aplicativo SNS.

O sistema de batalha é baseado em turnos. Os 3 principais participantes em cada batalha são as Refletores: Hinako, Yuzu e Lime. Semelhante à série Atelier, os personagens têm várias habilidades que afetam seus próprios tempos de espera (o tempo que leva para poderem agir novamente), mas a interface de exibição de batalha é muito mais fácil de entender e muito mais agradável de se olhar. A barra de “timeline” na parte superior da tela mostra quanto WT (tempo de espera) até que cada aliado e personagem inimigo possa atacar, e torna muito mais fácil do que em Atelier visualizar suas escolhas e efeitos delas, como, por exemplo, atrasar as ações inimigas.

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Os menus também têm uma estética muita animada e combinam com os maravilhosos modelos 3D do para fazer um sistema de combate extremamente agradável visualmente. Sombras danças na tela em resposta ao seu comando, com a câmera alterando o ângulo automaticamente durante toda a luta para uma máximo apreciação. É difícil de visualizar essa sensação apenas em imagens, assim como apreciar o design sem vê-lo em movimento. Além de atacar com Skills, as personagens também podem usar o “Ether Charge,” preenchendo a barra “Reflect” que pode ser usado para uma variedade de ações, como proteger ou refletir ataques inimigos, conseguir uma sequência de maior de golpes no seu turno com a habilidade ‘Overdrive’ ou acelerar o seu turno na barra de timeline.

O sistema de experiência de costume foi modificado em Blue Reflection – as três Meninas Mágicas sobem de nível ao atingir certos objetivos no Plot e nas side-stories. Quando nível aumenta, elas recebem um ponto que pode ser atribuído Ataque, Defesa, Suporte, ou Técnica, que direciona o crescimento de status da Personagem em direções específicas. Atingindo certos objetivos em cada categoria pode desbloquear novas habilidades. “Se não houver pontos de experiência, qual é a ideia de lutar contra inimigos ou fazer grinding, então?” – você pode perguntar. Bem, inimigos soltam itens que podem ser usados para criar materiais de consumo que aumentam permanentemente estatísticas do personagem e também podem ser usado para fortalecer os Fragmentos que as Meninas Mágicas tenham obtido. Os Fragmentos podem ser vinculados a habilidades do personagem e proporcionar novas combinações, como menor uso de MP, aumento de dano em ataques e muito mais O jogo também apresenta três dificuldades selecionáveis que podem ser alteradas a qualquer momento: Fácil, Normal e Difícil.

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Há, infelizmente, uma grande falha com o sistema de combate em Blue Reflection. Simplificando, o jogo é muito fácil. Fiquei feliz em ver um menu de dificuldade de seleção quando eu comecei e ansiosamente entrei no modo Hard. Quando um jogo oferece opções de dificuldade, e especialmente quando você pode mudar a dificuldade a qualquer momento (como em Blue Reflection), escolher a dificuldade mais difícil é dizer o jogo “Foda-se, eu quero um desafio!”. O jogo é desafiante no início, e eu estava no céu com um belo sistema de batalha misturado com um nível de dificuldade que me manteve tenso e me derrotou muitas vezes. Cerca de um terço de jogo, ele parou de fornecer desafios fora das lutas com as Origens. Ir até o “Comum” para encontrar Fragmentos tornou-se uma rotina sem graça – muito bonito, mas ainda uma tarefa que não forneceu mais nenhum desafio, e nenhuma motivação real para sequer entrar em batalhas. Por que se dar ao trabalho de coletar itens para fabricar consumíveis que aumentam o status quando cada luta é muito fácil mesmo sem eles? Isso é ainda mais trágico, considerando que os fundamentos do sistema de combate são incrivelmente sólidos – um simples ajuste nos números dos Status dos inimigos corrigiria o problema. Talvez a Gust arrume isso em um patch ou adicione uma dificuldade mais elevada, como fizeram em Atelier Sophie. Vou certamente acompanhar atualizações e tentar informá-los quando saírem. As batalhas são tão lindas e agradáveis ​​que eu iria facilmente jogaria mais uma vez se adicionaram uma nova dificuldade ou corrigindo a já existente. Na verdade, vou ser franco: Gust deve copiar o sistema de combate de Blue Reflection e reciclá-lo para o seu próximo jogo Atelier, porque é melhor em quase todos os aspectos.

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A única parte desfiante no gameplay (não tanto, mas pelo menos você tem que prestar atenção um pouco) são as lutas contra as Origens. Essas bestas maciças congelam o tempo no mundo normal para atacar a escola Hoshinomiya diretamente. Essas batalhas têm uma maravilhosa coreografia e música, e não apenas as Refletores participam delas – alunos normais que nossas heroínas têm ajudado podem fornecer apoio na forma de ataques extras, buffs, cura, recuperação e outros tipos de  apoio. Um total de 12 alunos podem ajudar Hinako, Yuzu e Lime, com alguns ataques de apoio divertidos que só fazem sentido em um mundo de Meninas Mágicas, onde as emoções se transformam em poderes. Essas batalhas multi-stage contam com têm 3 fases cada, com um inimigo enorme que tem múltiplas partes regeneradoras. Você pode arrancas partes para enfraquecê-lo temporariamente ou focar ataques no corpo principal, é de sua escolha. Uma vez que a terceira fase chega, você será assistirá agradáveis cutscenes ​de Hinako, após derrotar o chefe, no melhor estilo de Garotas Mágicas.

Quanto à história, não fiquei muito impressionado, mas possui seus momentos. Os clichês de JRPG estão por tudo. Existem alguns momentos muito bobos que talvez eu apreciei tanto por não conhecer muito o gênero de Garotas Mágicas e ambientações em escola.. Cada um dos 12 principais colegas de classe lado tem suas histórias que vão progredindo conforme você passar tempo com eles. Resolver problemas emocionais à luz do dia, lutando contra monstros na … ah, também a luz do dia, desculpe. Eu sou gosto de fazer todas as missões às vezes, então talvez trouxe um pouco de monotonia para mim, forçando-me a fazer todas as side-stories histórias de cada personagem, completando todas as missões, mesmo para os alunos mais genéricos, que se tornavam repetitivas enquanto eu queria avançar o enredo. Eu não estou falando mal do jogo em si, uma vez que  nem todas as tasks, dentro dos objetivos apresentados por Yuzu e Lime, são totalmente necessárias para avançar no enredo, é minha culpa por ignorar as principais e querer completar tudo. Foi bastante desgastante para mim enquanto precisava ir até o “Comum”, que parecia ser a centésima vez, para ir lutar contra algum (novamente, extremamente fácil) monstro para completar a Sidequest.

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A maior queixa que eu tenho em Blue Reflection, que não pode ser corrigido com um patch simples, é provavelmente a área do “Comum”. O mapa e as áreas são muito pequenas, então não espere fazer qualquer exploração. Entre, chegue ao seu objetivo em um par de minutos e depois saia.

O fanservice em Blue Reflection deve ser mencionado. A Gust saiu do seu caminho para desenvolver “tecnologia state-of-the-art camisa molhada” com uma inclinação ímpar para “as meninas sendo pegas na chuva sem um guarda-chuva para que elas fiquem completamente encharcadas”. Tendo Hinako tomando um banho em casa na noite é puro fanservice, sem adição nenhuma ao gameplay do jogo, além de vê-la submergir-se debaixo de água ou deitado contra o lado da banheira. Eu realmente gostaria que o jogo tivesse sido mais claro sobre quais ações noturnas realmente importam, porque sua explicação inicial é um vago “as ações que você toma à noite às vezes pode afetar no dia seguinte!”, o que me fez obsessivamente realizar cada ação disponível todas as noites para me certificar de não perder nada. Eu fiquei  um pouco frustrado ao descobrir eventualmente de uma wiki que as únicas coisas que você faz à noite que realmente fazem importam para o gameplay (dando bônus de estatísticas, mostrando cenas extras no dia seguinte) são estudar, alongar e praticar. Eu não sou absolutamente um oponente de fanservice (por favor, dê uma olhada nos títulos de reviews no meu site, que também pode ser chamado de “Cute Anime Girl RPG Review”), mas na maior parte eu senti esse fanservice deslocado do jogo . Eu digo isso principalmente porque eu simplesmente não me importo muito com o modelo 3D de Hinako ou vendo fanservice dela ou da maioria de seus colegas – o estilo do modelo 3D é muito “boneca”, o que funciona bem para alguns personagens e não tão bem para os outros. Eu senti estilo adequado para Yuzu e Lime, bem como alguns dos alunos, mas para muitos deles apenas parecia estranho, especialmente quando os fundos se chocaram com os modelos 3D (um problema especialmente aparente no eventos pós-escolares). É uma coisa pessoal, então eu não estou adicionando ou subtraindo quaisquer pontos para ele, e provavelmente é menos irritante se você entrar no jogo sabendo que não há impacto nenhum entra no banho todas as noites (de nada).

Blue Reflection é um daqueles jogos que me faz lamentar a adoção de um único sistema de classificação. Como um RPG, ele tem falhas, e isso é trágico, porque ele poderia ser fixado com um simples patch de dificuldade, já que os aspectos gerais do sistema de batalha são ótimos. Como uma experiência visual e de áudio, é absolutamente incrível muitas vezes, especialmente as lutas nas escola contra as Origens – a coreografia, a interface, os personagens bonitos, a música incrível, tudo isso acrescenta-se a uma grande sensação que prova jogos de RPG em turnos ainda podem ser relevantes se sua interface for boa. Vou ficar de olho em um patch de dificuldade da Gust e atualizar esse review, mas eu só posso recomendar Blue Reflection para pessoas que gostam da temática do jogo. Os modelos 3D das 3 principais personagens são incríveis, e honestamente parecia ainda melhor em movimento no meu PS4 do que nos trailers. O jogo é um pouco curto – provavelmente 20 horas se você focar nos objetivos principais (ou, Deus me livre, se você jogar em Easy/Normal), mas eu demorei em torno de 30 horas.

Se você gosta de meninas mágicas e achou que as imagens são incríveis como eu, pode curtir sem problemas. Se você não se importa muito com elas e está apenas procurando um RPG bem balanceado, melhor procurar outro game se a Gust não lançar um patch. Eu acredito que eles irão, dado o histórico deles com outros jogos. Vamos esperar.

NOTA: 4,2/5

Review original: Mellow, no JRPG Review

Versão jogada: PS4

Tradução: Augustofuca

 

*Japaixão Import Review é uma parceria entre o Another Castle e o JRPG Review, site que apresenta os últimos lançamentos de JRPGs direto do Japão, administrado pelo chapa Mellow.